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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

The Insane And The Melancholy - Ece Temelkuran

Ler Orhan Pamuk me fez desejar visitar Istanbul, o que fiz em 2015. A viagem e os romances têm me causado apego. Fico preocupado ao ler e ouvir sobre um conservadorismo e um governo que vêm limitando as liberdades dos turcos.

Se o que tenho lido e ouvido procede, ainda não sei dizer. Quando esbarrei nesse livro, vislumbrei uma chance de encontrar algumas respostas.


O tom do livro é de denúncia. Fala de um governo que manda demitir jornalistas, persegue opositores, ignora as leis, atropela o poder judiciário, e fomenta uma perseguição silenciosa de mulheres que não usam véu ou que vestem calças justas. Fala de um povo que está apavorado com a possibilidade de um regime totalitário.

Crianças impotentes diante de um sistema educacional tornado cada vez mais reacionário e totalitário por meio de aulas de religião...
E uma noção arrepiante de estar perto de perder a cabeça depois de ouvir as centenas de apoiadores que aparecem em nossas telas com a confiança de que tudo isso forma um quadro da ''grande Turquia'' e ''democracia avançada...''

As quase trezentas páginas do livro tentam contextualizar a história da Turquia, como a população se comportou e se sentiu em cada fase do último século, e como se chegou ao atual estado de coisas. Mas eu não aprendi muito. Fiquei bastante confuso com a escrita.

Fala-se dos anos vinte, depois avança-se para os anos 80, depois volta-se para os 40, depois vamos para 2010, depois voltamos para os 80... a autora fala de vários assuntos ao mesmo tempo, e se desculpa pelas digressões. Coloca várias palavras e frases entre aspas, e eu fiquei na dúvida se o objetivo foi ironizar, ou utilizar a expressão de outra pessoa, ou indicar que falta palavra melhor para explicar o raciocínio.

Há bastantes interpretações e pontos de vista, que relacionam várias décadas, e descrições de pensamentos que estariam na cabeça de vários grupos de pessoas, que não são claramente definidos. Fala-se muito de mudanças, marcos e significados, que são tão abstratos quanto essas próprias palavras. Fazem-se analogias difíceis de se seguir, e que não parecem ter correspondência na realidade.

With his formidably muddled mind, home and story, Mr. Turkey (I think we can all agree that he is a he) would like to show us his photo album. These are photographs of the memories and associations that have most deeply impressed and shaped him or have otherwise obsessed him, even though he cannot define them exactly. But the album is totally disorganised. Not only that, but a pile of photographs don't even fit inside it. Just as each attempt at organising a library is interrupted by a reverie as we come across a letter, a book, a journal or a note, Turkey too was interrupted each time he tried to organise his album and photographs of the past. The organised part of the album isn't even in chronological order. Why? Because ''yesterday'' doesn't stay put here. It oscillates between near and far in today's political, social and moral fights, conflicts and controversies. While a faraway memory appears fresh as a daisy, a very recent memory is treated as though it happened a million years ago. ''But that's no way to perceive time,'' you say. ''Doesn't that complicate things?'' He replies, ''It does complicate things. As it should!'' You say, ''With a yesterday at a constantly shifting distance, it must be easy to play games with people's memories.'' ''Yes,''he laughs. ''Speaking of which, let me tell you a 'symbolic' and 'ironic' story about this whole mess.''He tells the story of something that happened in April 2012... 

Apresentam-se muitos números: quantidades de feridos em ataques, de jornalistas demitidos, de cidadãos assassinados, de militantes torturados, na maior parte das vezes sem que se indique de onde veio a informação. Acusa-se o governo de manipular indiretamente números, e eu fico pensando se isso inclui os números que estão apresentados no livro.

Por esta obra, recebi bastante informação cuja confiabilidade não ficou aparente, e que não consegui ordenar em meus pensamentos. Depois da leitura, continuo entendo pouquíssimo do que pode estar se passando na linda Turquia.