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domingo, 16 de outubro de 2016

A Vegetariana - Han Kang


Alerta aos visitantes do blog

Este post está cheio de spoilers, de cabo a rabo. O propósito aqui é explorar os temas do livro, junto de quem ou já leu o livro, ou não pretende lê-lo, ou pretende lê-lo mas não se importa de perder as surpresas.


Sobre o que é o livro

Ao remover a carne de sua dieta, uma mulher causa um terremoto nas vidas do marido, pai, mãe, irmã, cunhado e sobrinho.

Qual é o sentido, ou o tema que permeia a obra? Não sei dizer se há um. Essa é uma característica das boas histórias. São como a vida: podem ter um sentido ou não. Mas há temas perturbadores e importantes de sobra esparramados e explorados com coragem.


Sobre o título

Considerando que a personagem de que fala o título do livro passa a evitar carne, ovos, leite, couro e todo e qualquer produto de origem animal, trata-se tecnicamente de uma vegana. Fiquei pensando sobre a razão de o livro se chamar "A Vegetariana."

Minha suspeita foi se formando na leitura da primeira das três partes do livro, que é narrada pelo Sr. Cheong, um marido insensível, um verdadeiro bruto. Sem nunca fazer esforço para entender as razões que levaram a esposa Yeong-hye a jogar fora praticamente tudo o que tinha na geladeira, ele passa a chamá-la de vegetariana, dedicando à pessoa todo o desprezo que também possui pela palavra. Nisso ele é acompanhado pelos colegas de trabalho e pelos familiares, que não presumem que uma vegetariana/vegana merece qualquer gota de respeito.

Lá para o final da história, Yeong-hye também deixa de comer vegetais. Um hospital a classifica como um caso de anorexia, e presume que a paciente tem uma visão distorcida de si, enxergando-se gorda.

Nem ocorre a Yeong-hye se classificar entre vegetariana, vegana ou anoréxica. Sua repulsa à carne é declarada depois que um pesadelo que envolve carne e sangue começa a se repetir. Mas o que parecia ser uma natural e ética rejeição ao sofrimento animal evolui para uma série de comportamentos difíceis de compreender, e que culminam com Yeong-hye acreditando ser uma árvore. Por esse motivo, já em um hospital psiquiátrico, fica de ponta cabeça e tenta absorver água do chão com as mãos, de onde pensa que estão nascendo raízes. 

Minha interpretação é a de que o título é aquilo que permeia a obra: um equívoco. A família, os conhecidos e a própria Yeong-hye se equivocam sobre o que ela é, e sofrem as sérias consequências desse engano.


Sobre a história

Parte 1 - The Vegetarian

Mr. Cheong é um homem de ambições e desejos moderados. Escolheu um emprego em que consegue ganhar mais ou menos, e em que precisa se dedicar mais ou menos. A mesma lógica ele aplicou quando decidiu se casar com Yeong-hye:

However, if there wasn't any special attraction, nor did any particular drawbacks present themselves, and therefore there was no reason for the two of us not to get married.

A união não trouxe grandes alegrias ou tristezas. Yeong-hye passava a maior parte de seu tempo lendo, e cozinhava refeições que muito satisfaziam Mr. Cheong. Depois de alguns anos, quando Mr. Cheong começava a imaginar se teria um filho, Yeong-hye o surpreende com comportamentos que ele não compreende.

Depois de sonhar com carne e sangue contaminando seu corpo, Yeong-hye acorda de madrugada e joga fora toda a carne que tinha dentro da geladeira e do congelador. Ação que me pareceu natural: Yeong-hye gostava de ler. Imaginei que pela leitura ela esbarrara em um dos inescapáveis argumentos contra o consumo de carne, e conseguira eliminá-la de sua dieta. É difícil fugir da ideia de que consumir carne não é ético. E Yeong-hye sugeria perspicácia ao discutir com o marido, que reclamou de não ter mais carne em casa.

Well, after all, you usually only eat breafast at home. And I suppose you often have meat with your lunch and dinner, so... it's not as if you'll die if you go without meat just for one meal."

Yeong-hye também joga fora os ovos, o leite e o couro que encontra no lar. Depois passa a rejeitar o marido, que ela diz carregar o cheiro de carne no suor. No trecho abaixo, Mr. Cheong dá o tom da relação com a esposa antes e depois da nova dieta.

But what troubled me more was that she now seemed to be actively avoiding sex. In the past, she'd generally been willing to comply with my physical demands and there'd even been the occasional time when she'd been the one to make the first move. But now, although she didn't make a fuss about it, if my hand so much as brushed her shoulder she would calmly move away.

Quando Yeong-hye sai para jantar com o marido e seus colegas de trabalho, é agredida. Os presentes criticam abertamente sua escolha e dizem ser desagradável estar perto de uma vegetariana. Em uma reunião de família, o ataque é ainda pior. O pai a xinga, faz ridículo da sua alimentação, bate nela e enfia-lhe um pedaço de porco goela abaixo.

O que eu imaginava que viria na sequência seria o contra-ataque: Yeong-hye usando sua lógica para fazer sua escolha se impor como a atitude mais correta. Mas a história toma outro rumo.

Os sonhos que atormentavam Yeong-hye quando ela comia carne continuam. Ela não consegue mais dormir. A falta do sono fica aparente no seu rosto e na sua constituição. Ela fala cada vez menos, e perde o interesse em todas as coisas. Corta um pulso. Fica nua em lugares públicos e tenta se alimentar do sol.

Eu, leitor que pensava entender a motivação de Yeong-hye, fiquei perdido. Se ela houvesse tentado articular que o consumo de animais não se justifica, dado o imenso sofrimento que a produção de carne causa e o desperdício inerente de recursos, o livro teria me levado para águas conhecidas.

Fiquei intrigado, e assim fui até o fim do livro, sem encontrar resposta. Continuo perdido: o que aconteceu com Yeong-hye? Por que os sonhos, a insônia e o silêncio? A obra acabou, e permaneço curioso. Será que a resposta está dentro, e deixei passar?


Parte 2 - Mongolian Mark

A história deixa de ser contada em primeira pessoa por Mr. Cheong. Agora a narração é externa, mas a perspectiva é do cunhado de Yeong-hye, que é casado com In-hye, dona de loja de cosméticos e irmã de Yeong-hye.

O nome do cunhado de Yeong-hye nunca aparece. Fico imaginando se isso é uma conquista literária, um desafio vencido: escrever dezenas de páginas de uma trama, sem nunca mencionar o nome do seu pivô, e sem que isso se torne um problema para a clareza da história. Achei estimulante.

Chamemos então a personagem de Cunhado. Foi o Cunhado quem carregou Yeong-hye no colo para levá-la ao hospital e ficou com a roupa cheia do seu sangue, na noite em que ela cortou o pulso.

E o Cunhado era um artista. A história parece nos dizer que sua contribuição para a renda da família era nada ou perto de nada. Mesmo assim, sua dedicação aos seus vídeos artísticos era mais do que profissional. Virava as noites trabalhando. Por isso tinha sempre um semblante exausto. Se lhe ocorria uma ideia para produzir um vídeo, não pensava em mais nada.

Foi uma infelicidade sua esposa In-hye comentar que a irmã Yeong-hye tinha uma marca de nascença nas nádegas. O Cunhado, que já achava Yeong-hye mais atraente do que In-hye, fica obcecado pela mancha que nunca viu, e pela sua dona. Imagina como o corpo de Yeong-hye ficaria bonito se nele pintasse flores que combinassem com a mancha. Deseja filmá-lo. Quer fazer arte com ele.

Yeong-hye perde a fala. Fica internada e é medicada por meses. Depois de uma mínima melhora, começa a dizer uma coisa ou outra, e é liberada para ir para casa. Fora abandonada pelo marido, e agora a irmã lhe visita de vez em quando, para garantir que a inválida e talvez já desprovida de julgamento Yeong-hye coma alguns vegetais e frutas.

O Cunhado, porém, vê nessa condição de Yeong-hye a chance de fazer a sua arte. E quando a esposa lhe pede que visite Yeong-hye para ver se está tudo bem, a ideia lhe desperta desejos.

Como já havia feito nos hospitais, Yeong-hye continua procurando expor seu corpo nu ao sol. É assim que o Cunhado a encontra quando vai visitá-la: nua e desligada do mundo. Ele a convence sem dificuldades a permitir ter seu corpo nu pintado, a posar com um homem, e a ter relações com ele, sempre sob uma câmera filmadora ligada. Entre planejamento e execução da ''obra'', o Cunhado evita de passar tempo com a esposa e com o filho pequeno, que precisa dele. Chega tarde em casa. Mente.

A vegetariana não só não recebe o respeito e a atenção que deveriam ser seu direito. Tiram vantagem de sua insanidade.

A parte 2 do livro termina quando In-hye descobre as relações entre seu marido e sua pobre irmã, a quem resta apenas um livre-arbítrio confuso, que já não parece humano. Ao ser pego, o Cunhado conclui que já viveu bastante de qualquer forma, e que acabou de realizar um sonho. Pode morrer em paz, e tenta se matar. Filho e família nem lhe passam pela cabeça.


Parte 3 - Flaming Trees

Yeong-hye está internada em um hospital psiquiátrico. In-hye é a única a visitá-la, mas não fico convencido de que é por saudades ou carinho, mas por decência e por culpa.

In-hye se pergunta se poderia ter prevenido o enlouquecimento da irmã. Talvez se tivesse agido para que a irmã não apanhasse do pai quando era criança? Ou tivesse arrancado a faca de sua mão quando tentou se matar? Se houvesse tentando impedir o divórcio?

Yeong-hye está no seu pior momento. Não fala, e quase nunca interage. Agora pensa que é uma árvore. Fica de ponta cabeça no chão, na esperança de que nasçam raízes de suas mãos e folhas de seu corpo.

Qual é a natureza da loucura de Yeong-hye? Por que era atormentada por sonhos com carne e sangue? A ideia de que uma flor poderia nascer de dentro dela teve início quando o cunhado lhe pintou flores. Seu silêncio se intensificou depois que tentou convencer In-hye de que era uma árvore, e In-hye respondeu que plantas não falam. Parece que seleciona e absorve do ambiente ideias para se tornar cada vez mais um vegetal.

"Você realmente acha que virou uma árvore? Como uma planta poderia falar?"
 ''Você tem razão. Logo palavras e pensamentos vão todos desaparecer."

Neste capítulo, enquanto visita a irmã e reflete sobre seu estado, In-hye tem seus pensamentos expostos ao leitor. Talvez seja a personagem mais atormentada por eles. Justo In-hye, a mais prática, independente, trabalhadora e objetiva. Ela, que não hesita, que conduz um negócio desde nova, que faz as coisas acontecerem, está tomada por incertezas, e esteve mais perto do suicídio do que Yeong-hye.

In-hye percebe que se equivocou sobre seu ex-marido. Diz que sentira vontade de ajudá-lo quando o vira pela primeira vez, com uma aparência tão exausta, e agora, anos depois, percebe que não havia necessariamente carinho nessa atração. Ela se sentia cansada, por ter dependido sempre da própria energia desde pequena, e projetara seu cansaço no então namorado, com quem não tinha muitas semelhanças. Enquanto In-hye era pura praticidade, ele era todo devaneios.

Mas pelo menos uma coisa In-hye tinha em comum com o marido: no dia em que tentara se matar, não pensara muito no que seria do seu filho, que ficaria sem pai nem mãe.

Ela não consegue explicar, nem para si mesma, quão fácil foi tomar a decisão de abandonar sua criança. Era um crime, cruel e irresponsável; ela nunca conseguiria se convencer do contrário, então era também algo que ela nunca seria capaz de confessar, ou ser perdoada. A verdade era algo que ela simplesmente sentia, de uma forma horrivelmente clara.

Nas últimas páginas do livro, Yeong-hye é quase um esqueleto. Está muito próxima da morte quando médicos tentam um procedimento para nutri-la, e seu corpo reage cuspindo sangue.

Então, pela primeira vez em todo o drama, depois de Yeong-hye ter sido desprezada, debochada, brutalizada e abusada, alguém lhe dirige uma palavra mais delicada, ou tenta se aproximar de seus problemas de uma forma um pouco mais humana.

In-hye sussurra no ouvido de Yeong-hye, que está numa ambulância, sendo transportada para um segundo hospital para receber tratamento intensivo:

Eu também tenho sonhos, sabe. Sonhos... e eu poderia me deixar dissolver neles, deixar que me tomassem... mas sonhos não são tudo, são? Nós temos que acordar em algum momento, não é?

Eu gostaria de saber qual seria a reação de Yeong-hye, depois de ouvir a primeira aproximação minimamente gentil. Será que ela ignoraria o comentário como vinha ignorando tudo e todos há meses? Acho que não. Penso que finalmente reagiria. Mas o livro acaba nesse momento. Um grande final.

Se o livro permite ao leitor entender o que se passava de fato com Yeong-hye, não sei dizer. Para a minha alegria, fui a um grupo de leitura que debateu essa obra na livraria Foyles da Charing Cross, em Londres. Acho que éramos quinze ou vinte leitores. A pergunta foi feita por uma presente: qual é o significado do que se passa com Yeong-hye? O que os sonhos, depois o vegetarianismo querem dizer? É possível mesmo concluir que Yeong-hye estava louca?

Uma leitora tinha certeza que sim, estava louca. Outros - eu entre eles - nem tanto. Houve quem achasse que o comportamento todo era uma reação ao marido nojento e ao pai bruto. Embora eu concorde que esses dois homens eram monstros, entendo que ninguém na família tratava Yeong-hye com carinho. Apesar de todas as dificuldades que ela passa, ninguém lhe dirige uma palavra doce. Ninguém lhe diz: ''tenho medo de perder você. Me dói saber que você está sofrendo."

As personagens do livro só conseguem especular.

Parece que para ela bastava lidar com o que quer que fosse calmamente e sem incômodos. Ou talvez fosse que houvesse coisas acontecendo dentro dela, coisas terríveis, que ninguém conseguia nem sequer imaginar, e era portanto impossível para ela se envolver com o cotidiano.

Um leitor achou inverossímil a forma como os conhecidos e a família reagiram ao vegetarianismo de Yeong-hye. Na opinião dele, ela não seria tratada com tanto desrespeito e agressividade só por causa da dieta. "Não aqui, pelo menos", disse ele. Essa ressalva foi importante. "Aqui" é Londres, onde o número de vegetarianos é enorme, e onde a sociedade já aprendeu a respeitar em grande medida as dietas alheias. No Brasil, tenho certeza absoluta de que o vegetarianismo de Yeong-hye seria recebido com a mesma falta de tato. Vi acontecer recentemente. E eu mesmo já fui daqueles que não percebem nenhum motivo para não dar risada daquilo que me parecia uma palhaçada.

Esse é um lembrete de que há elementos dessa obra que só serão compreendidos por aqueles que moram onde foi escrita, na Coréia do Sul.


Sobre o significado da obra

A Vegetariana é uma história com pouca narrativa. O que nós lemos no livro na maior parte do tempo são pensamentos e comportamentos extraordinários. Para mim, a pergunta brotava em todas as páginas: o que está acontecendo? E por quê?

Depois da leitura, das reflexões, do debate em um grupo de leitura, e pesquisas na internet, continuo sem saber. E, repito, acho que a obra não diminui por causa disso. Trata-se de uma história que foi escrita para ser como a vida: pode ter um sentido ou não.

Ou então a autora escondeu o sentido bem e sutilmente.


Sobre o estilo


Acho que todos nós que já lemos vários livros sabemos quando o autor está tentando apresentar suas personagens. Quando pessoas aparecem pela primeira vez, tendem a surgir em páginas que já dizem a cor dos cabelos, a altura, os cacoetes e a idade.

Achei esse livro extraordinário na forma como contornou esse padrão. As descrições das personagens não acontecem na ordem em que estamos acostumados. A aparência e a psique de cada uma vão sendo reveladas de uma forma mais diluída do que a usual. É o caso, por exemplo, do Cunhado, cujos esforços de fazer um vídeo de Yeong-hye são claramente absurdos na parte dois, mas se tornam mais compreensíveis na parte três, quando In-hye reflete sobre seu ex-marido, sua obsessão por sua arte e seu hábito de trabalhar até o esgotamento para colocar em vídeo seus devaneios.

E o que dizer de o livro ter uma personagem chave e nunca nos informar seu nome?

Fica o gosto de ter lido um estilo bom, incomum, talvez novo.

Também foi com alegria que notei refletida e permeada nesse romance uma sutil ausência de superstições. Quando Yeong-hye se expõe ao sol, ela é descrita como uma humana que evoluiu para fazer fotossíntese. A expressão natural em outras épocas da história da nossa humanidade seria "como uma humana que Deus houvesse criado para absorver luz como se fosse uma planta."


Sobre o prêmio

A autora Han Kang ganhou o prêmio Man Booker International com esse livro. Foi por isso que cheguei nele. Não... na verdade, foi porque eu sabia que o livro Uma Estranheza Em Mim, do Orhan Pamuk, estava concorrendo e eu torcia para que ganhasse. Mais tarde eu soube que A Vegetariana fora a premiada, e fiquei curioso sobre quem poderia ter batido aquela obra prima.

Agora que li as duas obras, naturalmente quero tentar responder: qual dos dois livros merecia o prêmio? Vou dar uma evasiva: não sei qual é o critério nem o propósito do prêmio Man Booker International. Sem fazer o esforço para aprender, vou evitar de opinar por hora! Mas vou divagar.

Digamos que o objetivo do prêmio é facilitar o desenvolvimento e sucesso de autores. Neste caso, faz todo o sentido que o prêmio tenha ido para este livro maravilhoso que é A Vegetariana, escrito por uma autora que, ao contrário do Orhan Pamuk, ainda não tem Prêmio Nobel, nem um museu dedicado a um livro seu.

Han Kang


Se o objetivo do prêmio é coroar uma obra pela sua qualidade, eu acredito que Uma Estranheza Em Mim deveria ganhar a disputa. Acho que é uma conquista literária maior.

Mas os dois livros são maravilhosos.


Revisões do livro

Essa revisão de Laura Miller foi minha favorita. Talvez porque nossas visões sobre a obra sejam tão parecidas.

http://www.slate.com/articles/arts/books/2016/02/han_kang_s_the_vegetarian_reviewed.html

A
rule of thumb: The more avidly you want an explanation of the meaning behind a powerful and cryptic work of art—from David Lynch’sMullholland Drive to Franz Kafka’s Metamorphosis—the less satisfying and comprehensive the answer can ever be. Sometimes how a book or a film puzzles you—how it may mystify even its own creator—is the main point. The way it keeps slithering out of your grasp.

Some reviews of The Vegetarian have insisted on viewing the novel as a piece of social protest, but this seems beside the point... The Vegetarian has an eerie universality that gets under your skin and stays put irrespective of nation or gender. But exactly what its business is there, I would not presume to say.



Revisão muito boa do The Guardian.

https://www.theguardian.com/books/2015/jan/24/the-vegetarian-by-han-kang-review-family-fallout

This is Han Kang’s first novel to appear in English, and it’s a bracing, visceral, system-shocking addition to the Anglophone reader’s diet. It is sensual, provocative and violent, ripe with potent images, startling colours and disturbing questions... The Vegetarian is an extraordinary experience.

Esta revisão traz especulações interessantes que não apareceram neste post.

http://www.counterpunch.org/2016/07/22/review-han-kangs-the-vegetarian/

Whatever, Han Kang’s The Vegetarian will make you think. You cannot turn the final page of this provocative novel without asking yourself a number of questions 

Já essa revisão do Independent começa mal, erra detalhes ao descrever a história, e até troca um nome de personagem (chama de "J" um personagem que não tem nome, o Cunhado, e que na verdade era conhecido de J. )

http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/reviews/the-vegetarian-by-han-kang-book-review-society-stripped-to-the-bone-9969189.html

Han Kang’s achievement is to suggest that this defiant act of vegetarianism can smash several lives and threaten the order of a society. 
A protagonista não tem um "ato de vegetarianismo." Ela é impelida por sonhos, talvez por uma condição ou patologia, a deixar de comer carne, e depois a deixar de comer qualquer coisa que fosse. E a "ordem da sociedade" não chega nem perto de ser abalada nesse livro.

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